segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Corações sim, piroseiras não...

Love is the air...basta chegar à semana, do dia 14 de Fevereiro e não há montra, que não se vista de encarnado e tenha muitos, muitos, corações. Os restaurantes estão cheios de marcações a dois e se por acaso, um grupo de amigos resolver jantar fora nesse dia, é logo olhado com mil olhos desconfiados e mil histórias são pensadas e imaginadas logo ali. Confesso, que não sou nada fã deste dia, que me chega a irritar, mas como sei que há quem goste, que há até,  quem tenha algo muito importante para comemorar, um post cheio de corações, só para não variar, do que paira no ar.
Sim, sim, também não sou assim tão insensível e hoje adorei a caixa deliciosa que a C&A me enviou. Conseguiu pôr os meus olhos a brilhar, não pelo meu mais que tudo, mas sim, só de imaginar o sabor do chocolate, em tempo de dieta. Dias não são dias e estes vão direitinhos para uma ocasião especial...



imagens do Pinterest excepto a caixa deliciosa da C&A que é minha e só minha



Ufa, digam lá, não vos enchi de corações pirosos, e imagens fofinhas e queridinhas que já não conseguem olhar, porque a verdade é que não sou fã do dia dos namorados, mas adoro corações!!!




ps -  Este ano, o dia 14 vai ser passado num sitio muito especial com uma das minhas maiores paixões. Não conto mais, mas para não morrerem de curiosidade, vão espreitando aqui o que vamos andar a fazer...

uma das minhas grandes paixões, desde o primeiro segundo que a vi



Cacomae
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Acreditar desafia os portugueses a acreditar também...

Dia 15 de Fevereiro, o dia em que TODOS devemos acreditar, ainda mais do que os outros dias do ano. Um dia cada vez mais importante assinalar, não pela tristeza da doença tão cruel mas sim pelo sucesso do tratamento e dos casos de sucesso, que em crianças são cada vez maiores.

Fico feliz por poder ajudar a divulgar esta data e o que poderão fazer, para que esta taxa de sucesso seja ainda maior. Uma pulseira por 0,50€, um braço giro e cheio de pinta, durante esta semana e mais uma criança a sorrir por muitos mais anos.

Custa? Custa, mas pouco, comparativamente com o que elas sofrem com esta doença maldita que cada vez leva mais pessoas que gosto e não quero ver partir. Há 20 anos, a lutar por melhor condições, por menos crianças a sofrer e principalmente por mais crianças a vencer o Cancro, este é sem dúvida um dia que não devemos esquecer, nem ignorar.

Este ano, para assinalar esta data, a Acreditar criou umas pulseiras que podem adquirir em qualquer um dos núcleos da Acreditar, em Lisboa, Porto, Coimbra ou Funchal e usá-las esta semana, para mostrar que acreditamos.

Eu acredito e vocês acreditem também...



LISBOA
R. Prof Lima Basto 73 (frente IPO)
Tel. 217221150 ▪ acreditar@acreditar.pt

COIMBRA
R. Camilo Pessanha 2 (junto Hospital Pediátrico)
Tel. 239482027 ▪ acreditar_nrc@acreditar.pt

PORTO
Av. Fernão Magalhães, nº2356
Tel. 25480405 ▪ acreditar_nrn@acreditar.pt

FUNCHAL
Av. Luís de Camões, Complexo Habitacional do Hospital, bloco 3, r/c Esq.




Cacomae
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domingo, 9 de fevereiro de 2014

Principezinho...

Quando a mini C. nasceu tive uma visita muito especial no hospital. A Catarina, chegou amorosa e fez o registo mais querido do primeiro dia da Caetana, que jamais irei esquecer. Com a C. grande não fiz, com a C. pequenina também não e depois destas fotos, cheias de amor e com tanto significado fiquei com muita pena, de o não ter feito com elas também.









O registo das primeiras horas de um filho neste novo mundo, no mundo que lhe apresentámos e estamos a dar a conhecer. Não podia ser mais importante e bonito. Não somos nós que temos de estar bonitas (mas estamos, juro, de tanta felicidade e baba estampada na nossa cara), não somos nós que temos de brilhar, mas sim eles, e o sentimento de amor e alegria que não dá para esconder e paira no quarto, nessas primeiras horas, nesses primeiros dias.

Foi com um enorme carinho que tentei, captar alguma dessa magia que ela captou tão bem, em Julho, comigo. Desta vez fui eu que cheguei com máquina em punho, pronta para tirar as segundas (sim, porque as primeiras, foram tiradas por quem o sabe fazer muito bem) fotografias ao bebé Sebastião, que não podia ser mais querido, mais amoroso e mais principezinho.

Palavras para quê...
C. espero que gostes, porque estas também foram tiradas com muito amor.














Parabéns, que querido!



Cacomae
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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Vai um chá?

Eu adoro chá. Preto de preferência, de frutas e sabores, de manhã, de tarde ou à noite, nem com a hora sou esquisita. Gosto tanto, que sempre que uma amiga vai a Londres e me pergunta se quero alguma coisa, o que quero sempre e peço para me trazerem, é chá.
Chega o Verão e bebo fresco, com imenso gelo, canela e hortelã. Chega o Inverno e a chaleira não sai da cozinha, porque água a ferver tem sempre de haver em casa, para um chá.

À noite, é uma óptima companhia, juntamente com a manta, a almofada, um livro, o computador ou um filme na televisão. Quando todos vão para a cama, o silencio se instala e eu sou a rainha da casa, é o que mais gosto de fazer.
O mais giro, é que eu não sou a única fã. A C. pequenina adora e pede imensas vezes um para ela também. Senta-se como se fosse crescida e faz o sorriso mais querido que tem. É um dos programas just me&C. pequenina, com uma história escolhida por ela e com vozes e caras que tanto gosta e eu me esforço por fazer (nada que eu me importe, porque um dos meus sonhos é que um dia me batam palmas, e no final de cada história, em que faço mais teatro, ela aplaude tão contente, que no dia seguinte se for preciso faço igual), os bocadinhos antes de dormir são por vezes passados assim.






Curiosidades e dicas para beberem mais chá...


  • Quando estava grávida foi o que me salvou várias vezes, nas constipações. Como as grávidas não podem tomar grandes remédios, experimentem um bom chá, quente, bem quente é o ideal, com uma colher de mel. Foi assim, que curei várias vezes dores de garganta, nas 3 gravidezes.

  • É do mais recomendado quando as nossas crianças vomitam e estão mal do estômago. As malditas gastroenterites e viroses que nos últimos anos viraram doenças da moda, têm feito grandes baixas nos mais pequeninos. Um chá (atenção que o chá tem teína, por isso para eles tem de ser fraco, eu ponho e tiro logo, quase nem cor fica) com uma colher de açúcar, ajuda nestes casos mais chatos, a que não desidratem e fiquem com alguma energia.

  • Para as mais ansiosas, e para  as que ter a cabeça a menos de 1.000 é quase impossível, beber um chá de camomila ou cidreira antes de deitar, faz maravilhas e nalguns casos "milagres". Vão ver, que é uma boa solução e um óptimo substituto da contagem dos carneirinhos.

  • Pois é, apesar de muitos acharem que o chá tem origem em Inglaterra, pela sua grande importância e consumo, quem não sabe que os ingleses têm a tradição do chá às cinco? O chá foi descoberto e tem a sua verdadeira origem na China e fomos nós os portugueses, um dos principais responsáveis pela sua vinda para a Europa. Uau, como éramos grandes e importantes...

  • Para as fãs e adeptas das dietas (eu inclusive) sabiam que o leite, está cada vez mais provado,  não é assim tão essencial na nossa rotina diária? Para não falar, que é um dos responsáveis da barriga inchada e de algum mau estar. A verdade, é que desde que deixei de bebê-lo de manhã, sinto-me muito melhor. Experimentem um chá, logo de manhã durante uma semana e depois digam se tenho ou não tenho razão (o melhor para quem conta os kilos, as gramas e tudo o que possa pesar, tem zero calorias)...



E agora vai um chá? Experimentem o  LiptonYellow Label, o melhor sabor de sempre (um conselho e dica Cacomae).



Uma parceria Lipton



Cacomae
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Mood amarelo...

Farta, fartinha, fartérrima de dias cinzentos, de chuva, vento e frio. Quero sol e calor. Nem mesmo a nossa viagem à neve escapou deste tempo tão feio, e tivemos de adiar. As malas vão manter-se feitas e os dedos vão fazer figas, para que a próxima data não tenha de ser alterada. Explicar à C. grande que afinal os dias que faltavam, voltaram a aumentar, foi o que mais custou. Uma cara feliz e contente com um sorriso enorme passou num segundo, a beicinho triste, tão desiludido, o sorriso mais amarelo que vi.

Esta foi aliás a razão do mood de hoje, amarelo, a cor do sol e boa disposição, não de sorrisos amarelos tristes...

imagens que me inspiram e me fazem imaginar dias de sol e calor no meu Pinterest
o candeeiro da Maria Barros é o mais desejado por aqui...o chá Lipton a minha companhia de noites frias no sofá 



Qual a vossa cor, hoje?

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Uma história de amor #2

Quem conhece a I. não fica indiferente e gosta dela no final dos primeiros cinco minutos de conversa. Parece frágil, por ser magra, magrérrima , por ser um doce e por ter sempre um sorriso meigo estampado no rosto. Conheci a I. numa das sessões que nos fez para a After Click, desde aí ficámos amigas e sigo a sua história, com uma grande admiração.
Esta, é mais uma história de um grande amor e de uma força que, nós pais, vamos buscar, nem que seja ao fim do mundo. Não é uma história de pena. Nem pensar!É uma história de vida, real, com protagonistas de pele e osso, que nos mostram que  nem mesmo os maiores desafios e provas que tiveram de passar os fizeram pensar em desistir ou alguma vez não acreditar que conseguiriam ultrapassar uma das piores provas das suas vidas.
Ter este testemunho, hoje, quando faz exactamente uma ano que o B. foi operado, foi para mim muito especial. Tenho a certeza que depois de lerem vão perceber e gostar tanto ou mais da I, que eu.

"Bart beat better

Programámos tê-lo, pensámos nos nomes, imaginámos o quarto, as feições, o feitio e as
cores. Só não imaginámos que teríamos uma história para contar. Do fundo do coração.
Na última ecografia morfológica, às 32 semanas, depois de meia hora de silêncio, a médica
disse-nos que o bebé estava muito irrequieto, que o coração era dos órgãos mais difíceis de
ver e pediu-nos para fazer um ecocardiograma fetal, só para ter a certeza de que estava
tudo bem. Perguntei-lhe se era mesmo essa a razão. Anuiu com a cabeça. Acreditámos.
Na mesma semana conseguimos uma marcação num cardiologista. O mesmo silêncio. O
médico dá o exame por terminado, desliga o ecógrafo e diz: “Temos um problema”. Gelei.
Íamos tão descontraídos que levei a minha irmã. Nunca tinha assistido a uma ecografia
e estava doida para ver o sobrinho. Olhei para ela e mal ouvi a primeira frase disse-
lhe baixinho: “Vá chamar o Lourenço”. O diagnóstico era, à partida, “simples”: defeito
completo do septo. Uma comunicação total entre as aurículas e uma pequena comunicação
entre os ventrículos. Pela explicação do médico era simples e a correcção era “banal”.
Teria que ser sempre operado mas podia acontecer até 1 ano de idade e até lá teria uma
vida perfeitamente normal. Ouvi tudo hirta, com as mãos cerradas e os olhos turvos. Saí do
consultório e caiu-me o mundo.
Era uma sexta feira à tarde, de Dezembro. Estava um dia lindo de inverno. Já não podíamos
ir a lado nenhum. Falei com a obstetra e pedi-lhe para nos receber logo na 2ª feira. Chorei
toda a noite, todo o fim de semana. Cheia de perguntas sem resposta, cheia de medos sem
fim, cheia de um egoísmo de “porquê eu?”.

o B., um amor de bebé


Mal entrámos no consultório perguntei: “Não é só isto pois não?” Havia uma grande
probabilidade de ter Síndrome de Down. Este defeito do coração é 99% das vezes indicador
de mais problemas. Lembro-me de respirar fundo e pensar: “Alguém me explica porque é
que é quis ter um filho?”
Não valia a pena fazer testes e exames para termos a certeza. Só poria em risco a vida do
bebé. E a minha. Faltava um mês. Só podíamos esperar.
Não googlámos, não pesquisámos. Nada. Esperámos com a certeza de que tudo o que viesse
viria bem, porque era nosso filho.
Temos a sorte de ser amigos de um dos maior cirurgiões cardiotorácicos do país. Não
hesitámos em pedir ajuda. Fomos encaminhados para o Hospital de Santa Cruz e a cada
consulta o problema que inicialmente era “fácil de tratar” foi ficando mais complexo.
Afinal as válvulas mitral e tricúspide também não existiam. Havia uma única que substituía
(mal) as outras duas.
Nasceu dia 24 de Janeiro de 2011 no Hospital CUF Descobertas, de cesariana, sem T21.
3.520kg e 48 cm e rodeado dos melhores médicos do país, para nós os melhores do mundo.
Teria corrido tudo bem e teria vindo para casa, esperar pela altura certa de corrigir o
defeito, ao fim de 3 dias como qualquer outro bebé se as surpresas não aparecessem.
Quando nasceu os pulmões não se adaptaram à vida extra uterina e o canal arterial (liga a
artéria pulmonar à aorta. antes de nascer faz a função dos pulmões mas cá fora deixa de
ser preciso) não fechou. Os pulmões não ficaram a funcionar na perfeição porque o canal
não fechou e o canal não fechava porque os pulmões não deixavam. E isto tornou-se um
ciclo vicioso.
Só o vi com 12 horas, só lhe toquei com 24 e só o peguei ao colo com uma semana.
Viamo-lo por vidros e portinhas mínimas. Cheio de fios, tubos e saquinhos que debitavam
medicação gota a gota. Era esse ritmo lento, dos pingos, que marcava os nossos dias. Não
passavam, não melhoravam, não terminavam. Assisti a enfermeiras dizerem-me que se
alguma coisa acontecesse com o B que não queriam que fosse no turno delas. Lembro-me
de pensar que o meu turno era eterno e que o resolveria na maior.
Ficou na CUF uma semana para estabilizar a parte pulmonar e no dia 1 de Fevereiro, foi
transferido para o Hospital de Sta Cruz, para ficar sob observação não fosse o canal fechar
por si e correr tudo mal...

que ternura


O canal continuou sem fechar durante 15 dias. Aquela bola redonda foi mirrando, secando
dos diuréticos que tinha nas veias e emagrecendo. Estava a morrer e não percebemos.
Ninguém nos disse. Só mais tarde. Por precaução (e impotência) decidimos baptizá-lo,
mesmo na ignorância.
No dia 15 de Fevereiro foi operado para remediar o problema. Fecharam o canal arterial e
foi preciso, também, colocar um banding na artéria pulmonar (AP) por estar a debitar 4x
mais sangue para os pulmões do que o normal.
Seguiram-se 3 dias de cuidados intensivos e mais 15 de enfermaria. 48 dias de uma vida de
fios, tubos, apitos, cicatrizes e corações enormes.
Passaram 8 meses até ser internado outra vez. 8 meses difíceis. Rodeados de
medicamentos, de cuidados e persistência. Não crescia, não engordava, pouco se mexia.
Cansava-se mais que a conta, e não comia o suficiente para o que gastava a respirar.
Em Novembro foi internado novamente. Comparado com o mês e meio inicial uma noite não
custou nada. Cateterismo para alargar o arco aórtico. Tudo o resto se manteve: o defeito
completo e o banding.
O timming para a correcção total seria, sensivelmente, aos 8kg o que deveria acontecer
perto de fazer um ano. Tamanho suficiente para suportar tudo o que a cirurgia implicava.
Nunca mais lá chegava. Teve durante, pelo menos, 3 meses nos 6kg. Parecia-nos um
pesadelo. Inventei tudo o que pode ser inventado para comer mais, para ter mais energia
e, consequentemente engordar. Nada.
Além da comunicação total das aurículas e da comunicação parcial dos ventrículos havia
(mais) um assunto que não nos deixava dormir. O ventrículo esquerdo era mínimo. Cerca
de um terço do tamanho do direito. E essa medida, mínima, ia decidir o futuro daquele
coração, daquele miúdo e desta família.

um dia vai poder ler as palavras corajosas, carregadas de amor que a sua mãe escreveu para ele.
leiam aqui, mas preparem os lenços que as lágrimas vão cair




Foram meses a fazer exames para tentar saber ao certo quanto media. Se crescia
proporcional ao direito ou se ia aumentando isoladamente. Nunca chegaram a nenhuma
conclusão. Pensámos ir ao outro lado do mundo mas o nosso mundo era aqui, com os
médicos que nos davam segurança para ficar. Segundo eles era “no limite” por isso estavam
duas hipóteses de cirurgia em cima da mesa:
- correcção biventricular (completa) – fecharem as comunicações entre as aurículas (CIA
– comunicação interauricular) e os ventrículos (CIV – comunicação interventricular) e
ficar com as 4 cavidades como qualquer um de nós. A cirurgia seria de risco, feita em
bypass (com o coração fora do corpo), mas a qualidade de vida seria óptima. A maior
dificuldade para o fazerem era o tamanho do ventrículo esquerdo e a possibilidade de
não ter capacidade para trabalhar sozinho quando a CIV for fechada e, por consequência,
não sair da sala de operações. Se não fosse possível esta correcção far-se-ia a cirurgia de
Fontan que seria feita em duas fases: a primeira, baseava-se em unir a veia cava superior
à artéria pulmonar excluindo algum tipo de procedimento no coração. A segunda feita aos
4 ou 5 anos unindo a veia cava inferior à artéria pulmonar. Era um procedimento paliativo,
não correctivo. Viveria com meio coração activo, a vida ficaria muito limitada chegando
perto dos 20 anos muito debilitado. Talvez um dia precisasse de um transplante.
Em qualquer uma das opções seria sempre tirado o banding da artéria pulmonar.
Decidiram marcar a cirurgia mesmo sem saberem o que iam fazer. O B tinha acabado de
fazer dois anos. Não andava, ficava roxo sempre que o tentava fazer e era, para nós, um
sufoco. Tinha acabado, por sorte, de chegar aos 8kg.

Faz hoje 1 ano.

uns pais coragem, mas um bebé corajoso e tão, mas tão querido



Naquela noite não dormi. Estive com ele ao colo parte da noite a comtempla-lo. Não sabia
se o veria outra vez e se poderia ter uma noite daquelas. Só os dois, colados. Entregámo-
lo de manhã a um enfermeiro, ainda a dormir. Dei-lhe o maior beijo que alguma vez
darei a alguém, aos soluços e não o vi mais. Não sabíamos o que iam fazer. Só medindo
o ventrículo no local é que decidiriam. Meio mundo em Santa Cruz, eu atarantada, o
Lourenço mudo. Do café da esquina para a entrada do hospital, do pátio para a estrada.
Conversas de circunstância, silêncios apavorados. Só pensava no B. Deitado numa cama com
estranhos à volta. Impotente, como nós e a lutar pela vida como já tinha feito tão bem.
E no cirurgião. Na decisão de ter a vida de uma criança nas mãos na dúvida de saber se
acordaria e na responsabilidade de ter de o dizer aos Pais.
Ao fim de 4 horas, o cardiologista diz-nos que esteve no bloco e está tudo a correr bem,
sem nos dizer por qual das intervenções optaram. Tic tac, tic tac. Mais duas horas e uma
mensagem escrita de um amigo: “Tenho um anjinho a dormir profundamente ao meu
lado” E notícias?! E o que lhe fizeram? Mais uma hora e o mensageiro vem ter connosco:
“Optaram pela correcção completa. Estão à espera que saia de bypass” Nada de alívio. A
saída de bypass é a altura mais complicada de uma cirurgia. O coração é substituído por
uma máquina e reconstruído “cá fora”. A altura de reverter o processo é a mais difícil. O
corpo pode não saber restabelecer a circulação sanguínea. Chorei. Chorei tanto. Mais meia
hora e vejo um corpo alto e cansado chamar-nos. O cirurgião. Com o sorriso e o ar cansado
e despreocupado que lhe conhecemos chamou-nos para a entrada da UCI. Põe uma mão
em cada um dos nosso ombros e diz: “Saiu de bypass “a brincar”. Correu tudo lindamente.
Vai ficar óptimo! Daqui a 20 minutos já o podem ver”. Agarrei-me a ele a chorar. Chorei
durante 10 minutos convulsivamente.
Esperámos o tempo que nos pediram com a sensação de terem passado 2 minutos. Depois
de 2 anos o que nos pediam era fácil.

Encontrámo-lo lindo de morrer. A dormir profundamente e cor de rosa. Desde que nasceu o
amarelo tinha virado moda cá em casa.
Começou a andar 2 meses depois da cirurgia. Agora diz tudo, faz companhia, brinca
sozinho, adora a escola, devora livros, passa-se com carros, continua palhaço, é o maior
trapalhão, conhece a rua toda, gosta de ser gozão, acorda bem disposto, deita-se da
mesma maneira, parece a minha sombra mas eu adorava ser uma sombra do que ele é. É
amoroso, feliz e dá-nos lições de vida, todos os dias.
A única coisa que se mantém é o tamanho. Continua mínimo mas, como diz o ditado
“homem pequenino ou velhaco ou bailarino” e este vai dançar até ao fim dos seus dias ao
som da vida e do coração."





obrigada I. pela tua força e por contares aqui, esta tua bonita história de vida

Uma verdadeira inspiração, força e garra. Uma grande MÃE.


Cacomae 
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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Planear para comprar...

Fevereiro chegou com uma raiva e uma força, como há muito não via. O vento esta noite, assobiou de tal forma, que foram mais as horas que estive acordada do que as que dormi. A tosse mantém-se nas três e não tem havido, xarope, nem soro que tirem este mau estar, que é ainda mais intenso, de manhã e ao deitar. Este foi o fim de semana de planear contas, fazer revisões de algumas roupas que vão deixando de servir e perceber quais os extra que vou poder fazer. Esta crise, com tanto de mau, trouxe uma coisa boa. Fazer contas e perceber o que realmente é importante, o que realmente precisamos, o que podemos substituir e no final, o que resta para as coisas que gostamos e não queremos abdicar (pelo menos para já, enquanto se consegue controlar despesas e fazer algumas poupanças).
Truques, que podem resultar e ajudam a poupar para poder comprar...
- Passei a guardar os talões do supermercado e fazemos as comparações do que temos gasto de mês, para mês.
Resultado: perceber que tantas são as promoções nas fraldas, que neste momento só em pacotes Dodot, tamanho 5, tenho mais de 6. Logo agora, que mal chegue o bom tempo, a C. pequenina vai deixar as fraldas. Dinheiro gasto sem necessidade.

- A conta conjunta, onde os dois colocamos o dinheiro necessário para as despesas fixas e mais algumas, que sabemos ter de pagar.
Resultado: Cada um fica com uma parte do seu dinheiro, para fazer o que muito bem entender, sem prestar qualquer satisfação ao outro, sem criticas nem caras feias, porque o desnecessário e sem interesse para mim, pode ser o essencial e fundamental para ele.

poupar, faz também parte do vocabulário das Cs. que para isso vão juntando e guardando moedas, no seu novo porquinho Bes



- Tentamos planear alguns dos jantares e saídas com amigos, alguns dos mimos que nos queremos dar.
Resultado: Ando sempre alerta das promoções e ofertas do MyWellnessConcept porque massagens e coisas de meninas é dos mimos extra, que mais gosto poder fazer. Vejam as promoções para este mês de Fevereiro, porque mais uma vez, valem a pena.

Para ver e marcar aqui




- Cada vez faço mais registos e escrevo o que realmente me faz falta, o que vi e gostava de comprar. Mais tarde, posso tomar a decisão certa e não comprar por impulso, como dantes costumava fazer.
Resultado: Nunca mais deixei e esqueci a minha agenda em casa, porque sem ela, já não consigo poupar. Listas e mais listas, para chegar e comprar de forma a nem precisar de olhar para o que me chama a atenção, mas não preciso comprar.


Rosa com Canela, uma marca que não resisto sempre com agendas lindas




ps - memórias que sem perceber me vêm à cabeça, de quando era eu um bebé. Lembro tão bem da minha mãe cantar-nos esta música com a voz mais doce que ouvi...como é possível? Não sei, mas hoje, também eu cantei para a mini C. que queria tudo menos dormir...

Dorme, dorme bebezinho
Que a maezinha logo vem
Foi lavar os cueirinhos
À fontinha de Belém...

hoje dormir não era com ela, por isso e sem pensar comecei a cantar a mesma canção que a minha mãe me cantava




pss -  Apaixonada pelas novidades que começam a aparecer. A Coobie mostrou, mais uma vez, como vestir um bebé recém nascido tão, mas tão querido.

a relembrar como foi há 7 meses atrás...
Coobie Primavera/Verão14



Cacomae
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